La Belle et la Bête

 
 
*** Por Suelen e Jéssica Farias do Nascimento ***

 

Das mais variadas histórias já contadas, há um conto francês que me fascina… Bom, mas antes convido você para divagarmos um pouquinho…

 
Ahhh a França… conhecida como o país de l\’amour… berço de poetas, sofisticação e até mesmo do cinema (irmãos Lumière).
Na época da realeza, nenhuma outra corte teve uma rainha tão extravagante e com um fim tão trágico como da jovem e imatura Maria Antonieta.
Da soberba, passando pelos descritos literários do romântico, outrora político e ativista de direitos humanos francês, Victor Hugo.
Na imortal e verdadeira história de amor entre Abelardo e Heloísa…
 
Bom, a história que irei compartilhar, construída nesse berço cultural é…
Ano: 1740
Nº de páginas: mais de 100
A obra: La Belle et la Bête, português “A bela e a Fera”.
Autora: uma mulher. (Sim, havia mulheres bem inspiradas há séculos atrás, só na Inglaterra tinham duas bem famosas), escrito por Gabrielle-Suzanne Barbot, Dama de Villeneuve.
Preferência literária: Romance.
 
A versão mais aproximada do que conhecemos é de Jeanne-Marie Liprince de Bramont, escrita 16 (dezesseis)  anos após a obra original.
 
Eis a seguir:

O conto \”A Bela e a Fera\” relata a história da filha mais nova de um rico mercador, que tinha três filhas, porém, enquanto as mais velhas gostavam de ostentar luxo, de festas e lindos vestidos; a mais nova, que todos chamavam Bela, era humilde, gentil, gostava de leitura e tratava bem as pessoas. 

Com o passar dos tempos, o nobre mercador perdeu toda a sua fortuna, e vendo a possibilidade de bons negócios em outra cidade, resolveu partir. As filhas mais velhas, pediram ao pai vestidos e futilidades, mas Bela, pediu apenas que lhe trouxesse uma rosa. Ao retornar para casa, foi surpreendido por uma tempestade, e se abrigou em um castelo que avistou no caminho. O local era mágico! Ao partir, pela manhã, avistou um jardim de rosas e, lembrando do pedido de Bela, colheu uma delas para levar consigo. Naquele instante foi flagrado pelo dono da propriedade: uma Fera pavorosa, que lhe impôs como condição para viver que trouxesse uma de suas filhas, oferecendo-a assim, em seu lugar. Ao chegar em casa e contando o fato; Bela resolveu se oferecer para a Fera, porém, para surpresa de Bela, a Fera foi se mostrando aos poucos como um ser sensível e amável. Um dia Bela pediu-lhe que a deixasse visitar sua família; pedido que a Fera, muito a contragosto, concedeu; no entanto com a promessa de que ela retornaria em uma semana. Para isto bastaria colocar seu anel sobre a mesa, e magicamente retornaria. Bela visitou alegremente sua família, mas as irmãs ao vê-la feliz, sentiram inveja e a envolveram para que sua visita fosse se prolongando (com a intenção de a Fera ficar aborrecida). Bela foi adiando a sua volta até ter um sonho em que via a Fera morrendo. Arrependida, colocou o anel sobre a mesa e voltou imediatamente ao castelo, mas encontrou a Fera morrendo no jardim (uma vez que não se alimentara mais, temendo que Bela não retornasse). Bela compreendeu que amava a Fera e confessou-lhe sua intenção de aceitar o pedido de casamento. Mal pronunciou essas palavras, a Fera se transformou num lindo príncipe, pois seu amor colocara fim ao encanto que o condenara a viver sob a forma de uma fera até que uma donzela aceitasse se casar com ele. O príncipe casou-se com Bela e foram felizes para sempre hehe.

Versão Original de Mademoiselle Gabrielle…A versão de Villeneuve inclui alguns elementos omitidos por Beaumont. Segundo essa versão, a Fera foi um príncipe que ainda jovem perdeu o pai, e sua mãe partiu para uma guerra em defesa do reino. A rainha deixou-o aos cuidados de uma fada malvada, que tentou seduzi-lo enquanto ele crescia; quando ele a recusou, a fada o transformou em fera.
A história revela também que Bela não era realmente uma filha de mercador, mas a descendente de um rei. A mesma fada que tentou seduzir o príncipe tentou matar Bela para casar com seu pai, porém Bela tomou o lugar da filha morta do mercador para se proteger. Beaumont diminuiu o número de personagens e simplificou o conto.

 
A história sofreu adequações até chegar a que conhecemos hoje apresentada pela  Disney, mas a essência é a mesma, o amor além da aparência.
 

Algo acrescentado no filme são as opções de escolhas da personagem principal, se por um lado tem Gaston belo, porém extremamente egoísta e egocêntrico, do outro há a Fera, destoada de qualquer padrão de beleza, mas aos poucos foi se mostrando um ser adorável (O conto descreve a transformação do personagem de vilão até se tornar mocinho da trama. Há também, uma mudança tanto física quanto de personalidade, afinal como no início é ressaltado que ele quando jovem era muito egoísta, rude e grosseiro; em outras palavras, precisava mudar…). Imagem: Site Disney

 
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A Bela e a Fera é ainda um dos filmes que melhor soube captar a sensação do apaixonar se, constatado na frase “É claro que voltei” dito por Bela quando regressou ao castelo.
A rosa vermelha é evidenciada, mas com significado de ampulheta, determinando o tempo.
Após o sucesso de “A Pequena Sereia”, a Disney decidiu investir na versão da fábula francesa, o desenho foi feito todo a mão por desenhistas da organização.
A obra concorreu ao Oscar de melhor filme e trilha sonora daquele ano, conquistando o troféu de melhor trilha sonora. 
Dos livros foi para tela, da tela direto para a Broadway, e é considerado o oitavo show de maior temporada de todos os tempos… um dos mais vistos.
O conhecido ator Hugh Jackman, mais conhecido por seu personagem Wolverine, interpretou o egocêntrico Gaston, o ator consagrou-se além das telas na labuta dos teatros.

 

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A história evidencia as imperfeições dos relacionamentos, e, principalmente, o princípio de que alguém sempre tem que ceder.
Ao final da obra, o castelo apresenta obras renascentistas francesas, buscando não perder a origem do conto.
 
A história inspirou outros clássicos, tudo pela liminar do contraste entre o bonito e o feio, são exemplos: King Kong, O corcunda de Notre Dame, O fantasma da Ópera e até o que deveria ser a essência de Crepúsculo, se não fosse os simplórios “brilhinhos” na cena em que o Vampiro apresenta se de forma “real”, olha só?  Bella, Isabella Swan…; até o cômico e irreverente Shrek.
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Atualmente, Guillermo del Toro está com o projeto de levar a história mais uma vez aos cinemas, o filme será estrelado por Emma Watson.

 

Já o diretor francês Christophe Gans, resolveu fazer a sua própria versão do conto, o filme estreia na França em fevereiro de 2014.
O filme apresenta uma pegada mais realista, a medida que o conto de fadas permite, e aparenta ser mais sombrio.  
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Um conto memorável!
Direto das cortes francesas antes de toda aquela história de Liberté, Égalité, Fraternité …
O que o difere de outros contos de fadas, é que não tem em sua essência nada exatamente “obscuro”, do conto original. Na versão que conhecemos muito pouca coisa foi alterada, sem pornografias, não era um conto erótico que foi estruturado, e sim um Romance desde sempre.
Inspirou, inspira e continuará para sempre inspirando …
Une vie à aimer!      

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