Foi entre uma imersão e outra nos estudos de Carl Jung especialmente na psicologia analítica que me deparei novamente com um nome que rondava meus ouvidos desde os tempos de faculdade:
“Mulheres que Correm com Lobos”, da psicóloga junguiana Clarissa Pinkola Estés.
Naquela época, confesso, não dei muita bola. Achei que se tratava de mais um livro com uma linguagem rebuscada, voltado para um grupo específico de estudiosos ou terapeutas.
Mas que engano!
O que encontrei foi uma leitura visceral, acessível e profundamente transformadora não só para mulheres, mas para qualquer pessoa que busca compreender a psique humana.
E mais: percebi o quanto a obra de Clarissa conversa com a astrologia moderna, especialmente aquela que entende o mapa astral não como destino, mas como espelho da alma.
O que Jung tem a ver com astrologia?
Antes de falar do livro, vale lembrar que Carl Jung via a astrologia como um sistema simbólico riquíssimo para compreender os arquétipos essas estruturas universais que habitam o inconsciente coletivo e se expressam em mitos, contos, sonhos… e sim, nos signos e planetas.
É exatamente aí que Clarissa entra.
O chamado da mulher selvagem
“Mulheres que Correm com Lobos” é uma jornada arquetípica.
Clarissa analisa mitos, lendas e contos tradicionais sob a lente da psicologia analítica e nos convida a reconhecer a mulher selvagem aquela força interior instintiva, intuitiva e criadora, que tantas vezes é sufocada pelos modelos sociais, pelas dores da infância e pelas exigências da vida adulta.
Essa “selvageria” não tem nada a ver com impulsividade ou descontrole.
Trata-se de retomar o vínculo com nossa natureza essencial, aquela que sabe, sente e pressente. Que sangra e se cura. Que chora, que sonha, que deseja e escolhe.
Clarissa e os arquétipos femininos
Cada conto que Clarissa analisa nos conecta com partes internas que reconhecemos sem nem saber de onde vêm.
Assim como na astrologia, ela mostra que não somos uma coisa só:
Somos a donzela ferida e a curandeira.
Somos a loba que corre livre e a mulher que aprendeu a se esconder.
Clarissa nos lembra, com sua escrita forte e poética, que:
“As histórias são bálsamos medicinais. Elas têm uma força! Não exigem que se faça nada, que se aja de algum modo basta que prestemos atenção. A cura está nas histórias.”
E isso vale também para os mitos astrológicos que, assim como os contos, nos revelam verdades internas por meio de imagens, símbolos e narrativas.
Em breve, trarei aqui no blog resenhas de contos que me tocaram profundamente e reflexões que unem esse universo simbólico à astrologia.
Porque, no fim, tudo o que é verdadeiro se conecta.
Se você já leu esse livro ou quer começar, me conta nos comentários.
E se sentir que esse conteúdo pode tocar alguém, compartilhe.
Quem sabe essa pessoa esteja precisando lembrar que ainda é e sempre foi selvagem.
Então até breve!
https://www.clarissapinkolaestes.com/
Imagem lobo: Vector