
No ínicio de abril estavam dispostos nas bibliotecas de West Sussex, na Inglaterra os livros com a temática sobre autismo, colocando diversos livros sobre esse assunto.
Um deles me chamou atenção por ser voltado para crianças, confesso que a capa que me convenceu da leitura, um menino com a cabeça apoiada na carteira da escola desenhando, enquanto a classe toda brinca no plano de fundo.
Com apenas 27 páginas e repletas de imagens para identificar posturas de uma criança com autismo esse livro tão sucinto me impressionou.
Essa exposição do tema nas bibliotecas da região sul da Inglaterra deve-se porque é todo mês de abril, a Autism Speaks celebra o Mês Mundial do Autismo, começando com o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, sancionado pelas Nações Unidas, em 2 de abril como iniciativa de concientização divulgando materiais sobre esse tema.
Então comecei a tentar entender um pouco desse transtorno. Lembrei-me também de algumas mães que conheço que me falaram que o filho era autista, como forma de justificar alguns comportamentos das crianças, o que pouco me impactava, pois pouco sabia sobre o tema.
Talvez a minha maior indagação seria uma diferença mais incisiva entre autismo e timidez, afinal por ser muito ampla as características, fica pouco implícito. Li também sobre fobia social, que também é outra característica encontrada nas pessoas que não pode ser caracterizado como autismo.
Mas afinal, porque falar sobre o autismo?
Segundo um novo artigo publicado pela CDC (Centers for Disease Control and Prevention) dos Estados Unidos, deste último mês de abril, foram divulgados dados surpreeendentes do qual, a cada 36 crianças uma possui o espectro do autismo, esse dado é maior que o do ano passado visto que a estatística era de 1 criança para 44.
Abaixo alguns dados retirados do site da Site do CDC:
- Cerca de 1 em cada 36 crianças foi identificada com transtorno do espectro do autismo (TEA), de acordo com estimativas da Rede de Monitoramento de Deficiências de Autismo e Desenvolvimento (ADDM) do CDC.
- O TEA ocorre em todos os grupos raciais, étnicos e socioeconômicos.
- O TEA é quase 4 vezes mais comum entre meninos do que entre meninas.
- Cerca de 1 em cada 6 (17%) crianças de 3 a 17 anos foram diagnosticadas com deficiência de desenvolvimento, conforme relatado pelos pais, durante o período de estudo de 2009-2017. Estes incluíram autismo, transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, cegueira e paralisia cerebral, entre outros.
Ao contrário do que muitas pessoas pensam autismo não é uma doença, muito menos uma doença mental. Ao contrário disso, o autismo é um transtorno ou uma condição e pessoas com autismo não precisam ser curadas.
O autismo é caracterizado principalmente por suas interações sociais únicas, formas não padronizadas de aprendizagem, interesses aguçados em assuntos específicos, inclinação para rotinas, desafios em comunicações típicas e formas particulares de processar informações sensoriais. UNOrg
Mas vamos ao livro intitulado “I see things differently: A first book at authism.“
Esse livro descreve o que é o autismo em simples termos. Isso auxilia crianças que tem irmãos ou colegas de classe com autismo, tentando entender como é o dia e os sentimentos dessa criança na sua perspectiva pessoal.
Esse livro foi inscrito pelo psicoterapeuta e conselheiro Pat Thomas, e é um dos livros de uma séria para crianças como “Do I have to go to the dentist?”, “A first book at heathly teeth” e outros.
Confesso que já gostei da leitura deste livro, provavelmente irei ler a série com minha mini leitorinha.
Tradução livre:
Você sabe o que é se sentir preocupado, nervoso, assustado ou sentir-se diferente das outras pessoas?
Nós todos sentimos essas coisas algumas vezes, mas pessoas com autismo sentem muito essas coisas.
Você provavelmente conhece alguém com autismo. Pode ser alguém na escola, ou na sua vizinhança, ou ainda na sua familia.
Você pode tê-los visto se comportando de maneiras que parecem estranhas para você e se perguntando por que eles fazem essas coisas.
Mas mesmo que você pergunte, eles podem não serem capazes de explicar. Na verdade, algumas pessoas com autismo não falam nada.Autismo é algo que você nasce, isso não é algo que você pode pegar dos outros.
Quando uma pessoa tem autismo isso afeta o jeito que sua mente funciona, fazendo seus comportamentos ou reações diferentes dos outros.
Ninguém sabe exatamente o que causa isso e descobrir não é fácil porque a maneira como nosso cérebro funciona é muito complicada
Nossa mente ajuda-nos a fazer com que o mundo faça sentido. Ela nos ajuda a aprender como nos fazemos e vemos as coisas.
Ela ajuda-nos a entender se alguém está sorrindo isso significa que eles estão felizes, ou que o lápis verde funciona tanto quanto o lápis vermelho, ou se você coloca manteiga de amendoim primeiro e então geléia tem o mesmo sabor se coloca a geléia primeiro, mas quando uma pessoa tem autismo, suas mentes funcionam diferentemente de outras pessoas.
Eles podem parecer iguais a todos os demais por fora, mas por dentro eles podem sentir como se todo mundo estivesse falando em uma língua diferente, ou são de outro planeta.
Uma pessoa com autismo podem encontrar grandes multidões ou barulhos muito assustadores.
Eles podem repetir as mesmas palavras repetidamente e seus corpos de um jeito que parece estranho para você.
Quando você fala com eles, eles parecem não olhar para você, e você desejaria saber se eles estão entendendo o que você disse.
Mesmo pequenas mudanças podem ser muito pertubadoras para eles. Isso é porque eles podem sempre querer sentar na mesma cadeira, ou ler o mesmo livro, ou usar o mesmo copo.
Esses hábitos ajudam pessoas com autismo sentir-se seguros e mais dispostos a lidar com todas essas coisas que eles estão sentindo.
A maioria de nós somos muito bons para encontrar caminhos de ignorar coisas que nós não queremos ver, escutar ou fazer.
Todas as imagens, sons e cheiros ao seu redor invadem seu cérebro como uma onda gigante. Quando isso acontece, eles podem sentir muitos sentimentos confusos de uma só vez
Uma pessoa com autismo não é mau ou comporta-se errado, eles apenas são diferentes.
E algumas vezes ser diferente é algo bom. Algumas pessoas com autismo tem maravilhosos talentos e habilidades.
Eles podem ser bom em música ou pintura ou lembrar-se de coisas.
Eles devem ser realmente bons em matemática ou entender programas de computadores ou concertar coisas.
Quando uma pessoa tem autismo isso pode ser difícil para eles entender brincadeiras ou usar sua imaginação ou brincar de jogos/brincadeiras de faz de conta.
Estar com mais de uma pessoa de uma vez pode ser pertubador e difícil para eles fazerem amigos.
Mas nós todos precisamos de amigos para amar e apoiar. Então se você conhece alguém com autismo tente ser um bom amigo.
Ser gentil e paciente e não esperar que eles crescer fora de seu autismo.
Isso não irá acontecer. Eles irão sempre ver o mundo um pouco diferente dos outros.
Mas com amor e apoio de todos em volta deles, pessoas com autismo podem aprender sentir-se um pouco mais felizes e protegidos cada dia.
Além desse texto tão sucinto e encantador, Patt ainda explica como podemos lidar com pessoas com o expectro do autismo na página 28 do livro e ainda aconselha algumas sugestões de leitura.
Perceber o outro inclúi-lo é muito importante e essencial para o desenvolvimento desses pequenos ou mesmo adultos.
Muitas pessoas que tem autismo foram apenas diagnosticados em idade adulta o que tornou o processo de auto-conhecimento mais doloroso, mas determinante para seu desenvolvimento pessoal.
A preciosidade dessa obra deve ser compartilhada e como seres sociais nosso compromentimento em acolher deve ser perene trabalhando e buscando a inclusão.
Pela amplitude dos sintomas do autismo, o que aprendi é que cada caso é um caso e só um profissional pode dar o proagnóstico necessário e preciso.
Ainda considero que deve ser sim mais especificado as diferenças entre autismo, timidez ou fobia social, pois possuem aspectos distintos.
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https://www.cdc.gov/ncbddd/autism/index.html