Hoje vamos falar um pouquinho da antiguíssima e charmosa cidade de Winchester, uma cidade catedral no sul da Inglaterra, a capital do condado de Hampshire.
Para os curiosos, na Inglaterra os lugares que possuem Catedral são considerados cidades, diferentes dos que não possuem que, na maioria das vezes, são denominados vilarejos.
Winchester foi em tempos remotos capital da Inglaterra e, também, sede do parlamento inglês. A cidade foi desenvolvida a partir da cidade romana de Venta Belgarum.
O maior ponto de referência da cidade é a Catedral de Winchester, uma das maiores da Europa, com distinção de ter a extensão mais longa de todas as catedrais góticas do continente.
No local há vários artefatos interessantíssimos desde meados do século X quando a Catedral foi construída.
As catedrais da Inglaterra, pelo menos as maiores, possuem sepulturas nos chãos, lá pode se visitar o túmulo de Jane Austen, a escritora inglesa do século XIX, autora de livros como Orgulho e Preconceito, Persuasão, dentre tantas outras obras literárias.
Austen viveu seus últimos meses de vida em Winchester em uma casa bem próxima a Catedral da cidade. O local hoje é propriedade privada sendo restrito o acesso para visita.









A Catedral possui mais de 900 anos, e foi centro de perigrinação de São Swithun.
Conforme um dos guias do local, foi durante o reinado do Rei Henrique VIII que a catedral sofreu uma terrível invasão, na qual os vândalos, além de retirarem o corpo do santo de Winchester, destruíram as imagens sagradas e macularam os túmulos dos reis e rainhas que estavam sepultados na Catedral.
Atualmente historiados ainda procuram organizar as ossadas dos monarcas daquela época.
Existe, também, a projeção do rosto de uma mulher feito por historiados e cientistas que idealizaram, por meio de estudos de ossadas, uma habitante inglesa do século I.
Além dos habitantes renomados da cidade de Winchester, tem-se ancestrais de figuras como Adam Smith (fundador da economia moderna) considerado o mais importante teórico do liberalismo econômico.
Em uma das alas da Catedral encontra-se uma charmosa biblioteca pertencente a George Morley – que doou seus livros à Catedral no século XVI. Os dois globos no centro apresentam o cenário mundial da idade média, e pode-se ver a Australia, o que demonstra que Mr. Morley tinha o que se havia de mais moderno de documentação do século XVI.
Até o século XVIII os livros presentes no acervo eram disponibilizados como empréstimo à população, bastava anotar o título do livro e o nome da pessoa que estava retirando a obra como empréstimo. Porém, após a perda de dezenas de exemplares, a biblioteca ficou restrita apenas para consulta local ao público – seguindo todos os protocolos de zelo pelas coletâneas.
https://admin.winchester-cathedral.org.uk/wp-content/uploads/2022/10/Bishop-Morleys-Library-Record-Extra.pdf
Para mais informações
O acesso à Catedral está 12,50 pounds e com validade para um ano, um investimento acessível.
Na parte subterrânea pode-se apreciar bíblias feitas na catedral com mais de 900 anos, todas redigidas à mão com profundo requinte e cuidado.
No coro da catedral, projetada durante o século XIV possuindo, assim, mais de 500 anos, o público fica abismado diante da perfeição, apenas com algumas marcas em poucas madeiras, em função do tempo.
A Távola Redonda e o Rei Artur: o cASTELO DE WINCHESTER:





O Grande Salão, é um dos melhores salões medievais sobreviventes do século XIII. É tudo o que resta acima do solo do vasto Castelo de Winchester, cujas construções começaram sob o governo de Guilherme, o Conquistador, em 1067.
O Castelo também foi usado para execuções públicas. Durante o reinado de Queen Mary, Thomas Bembridge foi queimado na fogueira no gramado do lado de fora do castelo por heresia.
O Grande Salão do Castelo de Winchester é, também, “o melhor” salão com corredores sobrevivente do século XIII.

Por ocasião do Jubileu de Ouro da Rainha Vitória em 1887, o condado de Hampshire foi presenteado com uma estátua da rainha feita por Sir Alfred Gilbert RA, escultor de Eros em Piccadilly Circus. É uma das poucas estátuas que retrata a Rainha sentada. Gilbert usou sua própria mãe como modelo para a elaboração da obra.
No centro da Távola Redonda está a Rosa Tudor, símbolo que combina a rosa vermelha da Casa de Lancaster e a rosa branca da Casa de York. Ainda mais provas, se necessário, de que a mesa foi pintada muito depois de ter sido feita, durante o reinado dos Tudors e de Henrique VIII.
The Great Hall. “O Grande Salão” é, certamente, um dos melhores salões de alas medievais sobreviventes do século XIII que fazia parte do antigo Castelo de Winchester.
Em 1222, Henrique III começou a construção de um dos primeiros salões medievais de estilo gótico. Na parede principal do salão foi instalada a parte superior da icônica Távola Redonda.
Segundo Thomas Malory, autor do século XV, que escreveu “Le Morte d’Arthur”, Winchester seria Camelot para o autor.
Távola Redonda é como é conhecida a famosa mesa em que o lendário Rei Arthur se reunia com os seus cavaleiros e, provavelmente, usada durante o século VI – época que o Rei Artur, provavelmente, viveu.
Por ser redonda, a ideia era mostrar que todos os sentados à mesas possuíam o mesmo status, não havendo uma hierarquia entre eles.
No final do século VII, ela passou a representar a Ordem dos Cavaleiros do Rei Arthur, conhecidos como Cavaleiros da Távola Redonda.
A cidade de Camelot (Winchester) é retratada ao longo de um rio cercado por planícies e florestas com uma magnífica catedral, St. Stephen’s, onde Arthur e Guinevere se casaram. No poderoso castelo fica a Távola Redonda, onde os cavaleiros têm uma visão do Santo Graal e juram encontrá-lo. Muitos outros lugares na Inglaterra e no País de Gales também afirmam ser Camelot.
Outra curiosidade é que o presidente John F Kennedy era referenciado como “Camelot” por causa de seus discursos e visões políticas que eram comparadas ao Rei Artur.
Os belos portões de aço inoxidável cobrem o arco que liga o salão medieval do século XIII aos tribunais do século XX. O projeto de Antony Robinson comemora o casamento de Charles, Príncipe de Gales, e Lady Diana Spencer em julho de 1981. Esses portões são exemplo de um trabalho inovador de forja do século XX.
Os portões chamados de Wedding Gates, o formato da chave para abrir essas portas são da letra W – que representa Principe William.
O valor da entrada para visitar o castelo é de apenas 4 pounds e, ainda, dá acesso ao jardim da rainha Eleonora do século XIII.
Simplesmente, incrível o que Winchester pode entregar de material para um apreciador de história…
O centro é pequeno, mas muito atraente para um turismo com foco em conhecimento, seguramente, a cidade é uma ótima pedida.
REFERENCES
Winchester Cathedral. Source: https://www.winchester-cathedral.org.uk/. Access Aug. 2023.
Informações encontradas no castelo em murais expostos durante a visita.
Viajonarios. https://viajonarios.com/tavola-rendonda/. Access Aug 2023.













































