
“Between two words: Lessons from the other side“, em português “Entre dois mundos: lições do outro lado“, é uma obra do médium estadunidense Tyler Henry.
Henry é hoje um dos mais reconhecidos médiuns e definitivamente um dos mais badalados de Hollywood.
Tyler tem atualmente 27 anos e possui um reality show no canal E! intitulado: “Hollywood Médium with Tyler Henry“.
Sua primeira experiência paranormal foi aos 10 anos de idade prevendo a morte de sua avó materna.
Tyler pediu para sua mãe para que fossem imediatamente visitar sua avó que ela não iria durar muito, mas ao sairem para o carro, o hospital lhes informou que sua avó já havia morrido.
É então que após a transição para o “outro lado” ela aparece para ele na ponta de sua cama enquanto ele estava dormindo. Após esse episódio aflorou nele a sensitividade, sendo que ele recebe após essa experiência a mensagem de uma amiga de sua mãe sobre uma flor que teria uma mensagem para ela.
Ela deveria pegar essa flor, a amiga em questão já estava morta e sua mãe havia acabado de chegar do enterro desta amiga de longa data e estava com uma rosa em suas mãos. Ele fala a mensagem é ela lê no papel anexado a rosa: “Obrigada por sua amizade”.
Após mais esse acontecimento sua mãe começou a acreditar nele e incentivá-lo com sua mediunidade que cada dia estava ficando mais em evidência.
Filho único, e muito próximo dos pais, durante o livro é notório a importância do suporte familiar no vida de Tyler, principalmente o de sua mãe.
Ainda adolescente descobre que seu melhor amigo estava com câncer, quando vai encontrá-lo em uma praia para aproveitar um fim de semana ele sente algo muito ruim, a morte breve de seu melhor amigo, a quem considerava como um irmão. A sensação de morte assusta Tyler que na época ainda não conseguiu lidar com o sentimento de perda.
E assim é a escrita do autor bem intimista. O livro é de linguagem bem simples, e também curta são apenas 216 páginas.
Tyler encontra suporte para dominar, ou melhor entender seu dom indo a uma loja exotérica administrada por um homem chamado Mark, ele e sua esposa criaram a loja para ajudar pessoas com seus “Recursos de cura”.
Algum tempo depois ele começa a alugar uma das salas para iniciar seus atendimentos.
Lá encontrava-se diversas práticas advinhatórias tal como tarô, espiritismo, Reiki e outras práticas exotéricas.
Nesse local ele conhece uma médium chamada Michelle que ao consultar Tyler, sem ele mencionar nada sobre suas visões, ela diz que ele possuia “guias” e que esses “guias” que o ajudavam a se comunicar com os espirítos, ela também fala da planta de aloe vera que ele havia comprado antes de chegar ao local.
Michelle diz que para ele comunicarse com seus guias precisaria da prática de meditação, algo que ela poderia lhe ensinar.
Durante o livro a palavra Conexão é muito evidente. E também ele acentua que ao invés de usar palavras como Céu, Inferno ou anjos, ele utiliza: o “outro lado” e “guias”.
E assim são suas visões, todas pautadas por imagens que precisam ser decifradas. Mensagens essas do “outro lado” como ele intitula. Sobre a loja da qual exercia sua mediunidade ele descreve:
“Deveria ser um lugar para pessoas de todas as profissões, mas ainda havia clichês entre aqueles que compartilhavam interesses e crenças específicas.
A maioria dos readers parecia se enquadrar em duas categorias: aqueles que se concentram na vida pessoal das pessoas (planejamento, futuro, aconselhamento) e aqueles que intuitivamente faziam sermões filosóficos ou big picture1 para seus clientes”.
Henry, 2016 p.33
Na forma de falar suas mensagens existe um confiar naquilo que os espirítos lhe falam, da maneira como é mostrada a ele de forma involuntária, por meio de conexão ou de objetos das pessoas falecidas.
No livro consegue se entender que como médium, Tyler se assemelha a aspectos ligados ao espiritismo, mesmo ele não citando ou se denominando em momento algum no livro. Seus dons não são premonitórios, ou seja alicerçados em previsões de futuro (método usado em tarô, por exemplo) e sim, em comunicação com espirítos que já partiram, mensagens que essas pessoas gostariam de deixar aos seus entes queridos ou mesmo avisá-los de problemas de saúde que eles possam ter ou já estão manifestando; um salva guarda do “outro lado”.
Para mostrar seu trabalho para as pessoas de sua cidade, ele preparou um evento que contou com a participação de centenas de pessoas no local da qual Mark havia cedido-lhe uma sala para atendimento.
Após a sessão Tyler estava drenado energéticamente, mas tornou-se conhecido na pequena cidade de Hanford, EUA.
Após 2 anos lendo em sua cidade natal ele começa a atrair clientes em Los Angeles e com isso fazendo idas regulares todo final de semana.
Ainda inexperiente referente ao controle de suas energias e o quanto poderia afetar sua saúde física, Henry acorda na (ICU – Intensive Care Unit), na UTI do hospital com risco de um derrame cerebral.
Ele pediu ao médico que fizesse uma radiografia de sua cabeça, pois sentia que havia algum problema que não estava sendo detectado, o que levou a divergências entre a insistência dele em oposição ao panorama médico.
Após a equipe médica ceder aos pedidos, foi feito um novo scanner que detectou uma massa perto do tronco cérebral que precisaria ser drenada.
Logo após o ocorrido ele sabia que precisaria treinar suas habilidades de auto-defesa é o que ele descreve ao final do livro quando é questionado do porque que ele transpira tanto nas consultas. Seria o contato intenso de alguns espíritos, o que em um primeiro momento eles se projetavam nele o que ocasionou sérias dores no seu corpo, hoje ele prefere a utilização de símbolos por mensagem, o que não é só desta maneira que acontece.
Com o passar do tempo, as consultas aumentaram em quantidade e Tyler decide fazer disso um emprego integral, nessa época ele estava estudando para ser enfermeiro.
Em um final de semana em uma viagem para Los Angeles e em um de seus eventos organizados, ele conhece um caçador de talentos, um agente que trabalhava com várias personalidades de Hollywood que se interessou pelo talento do jovem sensitivo.
Mesmo sabendo que poderia ser uma grande exposição da qual poderia estar se metendo, decide dar uma chance ao destino. Ele descreve que havia um sentimento de aceitar aquele pedido. “De alguma maneira eu sabia que deveria estar lá”.
E foi então que sua carreira decolou passeando entre as personalidades mais famosas de Hollywood como médium.
Ron, seu agente arrumou uma visita a membros do elenco da telenovela Days of Our Lives até executivos da trama.
“Quando confessei ao Ron que me sentia um pouco intimidado por aquelas pessoas, ele me lembrou que muitos deles se sentiam intimidados por mim!”
No capítulo 7, p. 157 Clarividente Q&A, o médium responde perguntas sobre suas experiências e aprendizados, o que torna o capítulo mais dinâmico e interessante.
Ele acredita que todas as pessoas possuem guias espirituais e conta que nunca conheceu alguém que não possuisse. Seria como as pessoas de religiões monoteístas denominam Anjos da Guarda.
Sobre Deus, ele acredita sim na existência. Até pensou em ser ministro da igreja que frequentava quando criança já que cresceu em um ambiente cristão protestante. Porém, referente a igreja como instituição ele cita:
“Senti uma conexão com um poder superior que parecia responder às minhas orações na forma de orientação espiritual. Tive a sensação de que simplesmente não conseguia sair da igreja. […] Rapidamente percebi que, assim como a igreja poderia inspirar, elevar e informar, ela também poderia alienar e destruir o senso de auto-estima de uma pessoa jovem e impassível. Isto era especialmente verdade se a congregação ou o pregador tivessem ideias rígidas sobre como as pessoas deveriam ser.”
Henry, p. 164
Um tema polêmico, a ideia de céu e inferno ele acredita na evolução do espiríto que acontece através das encarnações como fonte de aprendizado para as almas. Ele diz que nunca comunicou-se com nenhum espiríto que descreveu o inferno ou diz ter vindo dele e faz uma provocação no livro:
“Se Deus é onisciente, todo-poderoso e sempre presente, então por que uma força tão incrível e maravilhosa seria desperdiçada ? Seu nome exigindo ser adorado, sob pena de tortura eterna?” (ele fala sobre a alma humana). Henry, p. 164
Sobre regressão de vidas passadas ele diz que não encoraja tal técnica, afinal existe um motivo para que as pessoas se esqueçam de suas vidas pregressas, algumas distrações precisam ser evitadas para viver a vida presente, reviver memórias e traumas de vidas passadas geralmente não valem nosso tempo ou energia. Existem poucas exceções segundo Tyler.
A cerca de experiências com contratos de alma, uma definição comum é que um contrato de alma liga uma alma a outra através da eternidade.
“Acredito também que as nossas almas são capazes de encarnar juntamente com a intenção cooperativa. […]
Os contratos de alma nas encarnações humanas não ocorrem apenas entre pessoas com quem nos damos bem. Freqüentemente, nossos maiores professores são aqueles que nos desafiam e colocam à prova nossas capacidades. Já ouvi lições de vida incríveis entre pais e filhos, amigos, inimigos, irmãos e praticamente qualquer outro relacionamento que você possa imaginar.“
Henry, 2016 p.196
Referente as almas gêmeas ele diz ser um dos temas que menos ele gosta de falar afinal, existe uma concepção fantasiosa dessa sincronicidae de almas. Para ele seria, “simplesmente outra consciência à qual concordamos em ingressar nesta esfera”, porém ele não rejeita a força dessa ligação de almas e sua compatibilidade, ele não gosta do cliché que é feito sobre o tema e as mistificações que exigem coerência.
Relativo as crianças ele considera que elas possuem uma intuição muito maior que a dos adultos. Elas são muito mais receptivas para as experiências intuitivas, mas é frequentemente dito a elas: “É apenas a sua imaginação” ou “Isso está tudo na sua cabeça”.
Existem várias perguntas que são respondidas por ele, como a crença sobre aliens, da qual ele acredita que são reais.
No que concerne a reencarnação de animais domésticos, no livro é citado algumas histórias de cachorros que ficaram ligados ao dono ou mesmo se reencarnando em um filhote conectado a família, quando não, eles permanecem fiéis ao dono do “outro lado” o amor não se rompe.
Para concluir, em resumo a obra é de uma leitura simples, e a escrita de Tyler é muito polida e educada, durante todo o livro ele procura ser o mais imparcial e cuidadoso com suas crenças sem ofender ou expôr seus clientes, tudo é de maneira bem singela, não espere grandes histórias, essas são exibidas no programa dele na televisão.
O livro traz-se uma mensagem que a morte não é o fim, e que as pessoas que amamos estão sempre cuidando de nós, porque o amor verdadeiro ele vive para sempre mesmo que não mais encarnado.
- : O termo refere-se à capacidade de enxergar de forma ampla o funcionamento de um projeto, ver a ‘imagem completa’ e não apenas uma determinada área ou um único aspecto. ↩︎