Try: Quando o Mapa Chama

Mallorca, Espanha 2014

Desde muito nova sempre tive fascínio por viagens, e essas aconteciam meramente em minhas fantasias.

Há mais de dez anos atrás, saía de um dia ensolarado de fim de verão no Brasil e embarcava no aeroporto de Guarulhos rumo a Londres, em um voo direto para Heathrow. Era meu primeiro voo de avião e, simbolicamente, meu primeiro grande salto de fé.

Enquanto muitos passageiros retornavam para suas casas na Espanha, eu seguia em direção ao desconhecido. Ao meu lado, um francês fazia conexão entre Inglaterra e Paris. Já naquele momento, o mundo parecia menor, mais fluido, mais possível.

Ao chegar no Heathrow (principal aeroporto da Inglaterra), não sabia nomear, meu coração pulsava e sentia um cheiro diferente, frio, mas sem aroma, hoje entendo que era o cheiro da esperança, de um novo começo, um novo ciclo.

Não senti medo. Apenas aquele frio suave na barriga que antecede os grandes mergulhos. Tudo era distante da minha realidade: passaporte, nacionalidade, costumes, idioma. Eu sabia pouco, quase nada. Mas estava disposta a aprender tudo do zero como quem confia que o universo sustenta.

Aprendi uma palavra que se tornaria um mantra:

TRY. Tente. Experimente. Se permita.

E o que a astrologia tem a ver com essa história?

Bom… estava escrito no meu propósito de vida! Sem querer eu segui meu mapa!

Sagitário no ponto mais alto do mapa, impulsionava meu próposito e pedia coragem para explorar o mundo, errar, aprender com a experiência direta e ampliar horizontes internos e externos e foi isso que fiz.

O ápice veio ao ver o Big Ben pela primeira vez.
Estava na ponte que liga o Big Ben à London Eye quando levantei os olhos e compreendi: aquele era um sonho antigo, gestado ainda na adolescência.

Ali, algo se alinhou dentro de mim.
Entendi que o mundo era maior do que eu imaginava e que, de alguma forma, tudo aquilo que eu desejasse poderia se tornar possível, só precisava mirar meu alvo e aproveitar a jornada.

Os meses viraram anos.
Voltei ao Brasil, vivi um tempo sabático, integrei experiências.

Hoje, ao olhar para trás, vejo o quanto cresci. Houve desafios, medos, rupturas e recomeços.

Se hoje posso compartilhar algo com quem sente o chamado de mudar de país ou de vida, são essas lições:

  • Seja flexível
    Nem tudo estará sob controle. Confie em si mesma.
  • Tente, mesmo com medo
    O crescimento mora além do conhecido.
  • Respeite o novo
    Expandir consciência exige abertura.
  • Aprenda o idioma, faça pontes
    O mundo se revela no encontro com o outro.
  • Solte os rótulos
    Eles não definem ninguém.
  • Esteja presente
    A vida acontece agora.
  • Exercite empatia, tolerância e fé
    Essas são ferramentas de sobrevivência emocional.
  • Desapegue do passado
    Crescer também dói, mas transforma.

Como disse Amyr Klink:

“Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar a arrogância que nos faz doutores do que não vimos.”

Seja qual for o seu propósito de vida, não tenha medo de persegui-lo. Só existe uma forma de saber se ele é para você:

Você pode simplesmente TENTAR. TRY.

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