Bridget Jones e um olhar para a Inglaterra

Quem já assistiu O Diário de Bridget Jones e seus outros dois filmes subsequentes deve ter amado a engraçada e atrapalhada Bridget Jones.

No primeiro filme Bridget tem 32 anos, tem um apartamento no centro de Londres onde mora sozinha, e trabalha em uma editora de livros.

Bridget é uma convicta solteira, apesar de contar com diversos relacionamentos mal sucedidos e nunca ter tido um namorado sério até então.

Certamente, uma das mais populares comédias românticas da década de 2000.

Tendo sua primeira edição em livro em 1996. Quando Helen Fielding escreveu seu livro sobre a espontânea de Bridget Jones, provavelmente, não previu o sucesso mundial que a história conseguiria.

Mas por que a história de uma garota solteira após seus 30 anos faria tanto sucesso? Provavelmente porque fala sobre mulheres, sobre sociedade, suas crenças e convicções.

O Diário de Bridget Jones apresenta uma ideia de que basta arrumar um bom partido para que se resolvam todos os problemas femininos. Porém, essa visão é superficial, já que a história foca na realidade da protagonista e suas dificuldades e conquistas. E é aí que encontramos o diferencial desse projeto.

No início do filme Bridget está indo ao jantar de Turkey curry Buffey para o natal na casa de sua mãe, lá todos começam a perguntá-la sobre sua “love life”, vida amorosa e no tempo “quase escasso” que ela tem para encontrar alguém para se casar.

Bridget começa a escrever um diário narrando suas experiências na casa dos 30 anos, a verdadeira história de sua vida. O resultado é um relato picante e bem-humorado de suas desventuras profissionais, familiares e românticas.

As suas inseguranças relativa a seu peso, hábitos como fumar constantemente resultado de uma “ansiedade”, são retratados em seu diário.

Milhares de mulheres fizeram dela uma personagem empática aos problemas femininos e a pressão imposta a todas desde cedo.

A vida adulta para uma mulher é algo cruel, pois existe uma expectativa social de que a mulher bem sucedida é aquela que está casada antes dos 30 anos e inicia um planejamento familiar, além de ter uma carreira bem sucedida.

Bridget também fala sobre a sexualidade feminina, afinal ela não é a típica adolescente insegura e indefesa, mas sim, uma garota madura sexualmente e sexo não é tabu para Miss Jones.

Ela sabe o que é melhor para si, porém procura um relacionamento sério, algo verdadeiro, alguém que a assuma após seus mais de 30 anos de solteirice.

E no ano em que completa 32 anos, a ariana impulsiva e estabanada, Miss Jones é disputada pelo mulherengo Daniel Cleaver e o metódico e frio Mark Darcy.

O nome de Marcy Darcy vem da obra de outra escritora britânica Jane Austen, o mesmo personagem em que ela descreve em sua obra Orgulho e preconceito.

Charmoso e muito rico, ele é inicialmente rejeitado pela mocinha Elizabeth Bennet, que o crê arrogante e esnobe. Isso até descobrir que Mr. Darcy é generoso, corajoso e muito apaixonado. Alguém o identificou com as caractéristicas do Darcy de Bridget Jones, 100% ou 100%?

Seria Mr. Darcy o homem perfeito para a expontânea Miss Jones?

Durante três filmes ela é disputada entre dois homens e se mete em inúmeras “furadas”.

No terceiro filme Bridget está com dúvidas acerca da paternidade de seu bebê e vive uma gravidez geriátrica no auge dos seus mais de 43 anos.

Image: Time

Para os apreciadores da obra, o filme como o livro (que particularmente amo também!), é interessante observar o panorama da sociedade inglesa.

Bridget vive em um apartamento sozinha no centro de Londres, mas por quê?

Se colocarmos na realidade brasileira, Bridget moraria com seus pais nos seus 30 anos.

Só que na Inglaterra os filhos viram “inquilinos” nas casas dos pais quando completam a maior idade ou já conseguem se manter com um salário mensal, o que é iniciado por volta dos 16 anos.

Assim, é pago um aluguel aos pais e a comida também é limitada, devendo ao, “filho” custear sua alimentação mensal.

Outro ponto do filme, são os trajes de Bridget, geralmente as roupas usuais das garotas inglesas: as saias, blusas, vestidos e as constantes com meia calças. As garotas inglesas por certo se vestem como Bridget… pelo menos aos olhos dos expectadores externos.

Image: Architectural digest

E os pubs?? Miss Jones, ama beber e sair com seus amigos. Na Inglaterra é normal pessoas, mesmo casadas, “liberarem” seus parceiros para “nights out” para beber com seus amigos, criando um ambiente de confiança e liberdade entre cônjuges… o que, particularmente, creio que seja bem interessante, visto que vim de uma criação tradicional do sul do país, e não é culpa de criação em si, isso diz mais respeito a cultura e valores locais. Diferentes da Inglaterra contemporânea.

Image: Daily Mail

Os jantares na casa dos amigos da mãe de Bridget, são comuns na Inglaterra. Ingleses tem seus amigos, e por mais que pareçam serem “mais fechados”, geralmente, se você entra no ciclo de amizade deles, são bem acessíveis e pitadas de sarcasmo são escutadas nas rodas de conversa.

O jantar de natal com a célebre roupa “diferente” que Mr Darcy usa… é comum por aqui também, e até existem competições em serviços para que ganha com o pior “Christmas jumper”.

Image: Adaptation magazine

Festas a fantasia são comuns na Inglaterra, onde as pessoas se vestem de maneira excêntrica, tanto para um jantar especifico, como para assistir peças teatrais, ir a festas…no final é um sarro… Lembram da ícônica cena de Bridget de coelhinha, na festa preparada pelos melhores amigos de seus pais.

Image: Daily Mail

O apartamento em que Bridget mora em Londres é muito pequeno, só que para padrões atuais é um apartamento de tamanho razoável no Reino Unido.

Casas e apartamentos na Inglaterra são pequenos e compactos, até porque aqui tudo segue um padrão de construção para não tirar a harmonia estética do país.

Sim, aqui a lei se aplica para tudo, em compensação no filme Bridget vive uma vida sossegada e segura, mesmo morando em Londres, que comparada aos padrões brasileiros, é sim muito, mais muito mais, segura.

Nos dois primeiros filme Bridget se locomove com os taxis de Londres. Afinal, quem mora em Londres usa metrô e taxi mesmo para locomoção, e ela e seus amigos geralmente retornam para casa de taxi após uma noitada regada a bebida e boas conversas, aqui as pessoas seguem as leis, sim, a grande maioria.

É regra, bebeu, não dirija. E o povo inglês é expert em seguir regras, por isso o país funciona tão bem.

Sem dúvida Bridget Jones é uma de minhas personagens favoritas, e eu realmente acho ela muito divertida e autêntica, por isso ela é tão popular entre as mulheres.

Ela não é feminista ou progressista, ela é apenas uma garota normal, e talvez vendo nossa sociedade atual, o que mais precisamos é de garotas normais, perfeitas em suas imperfeições e ricas em suas atitudes.

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