Sou a terra da mutação.
A areia do deserto, que redesenha o mundo a cada sopro do vento.
Sou filtro: de gente, de gestos, de intenções.
Nada passa por mim sem ser cuidadosamente observado.
Sou corpo que escuta,
mente que avalia,
alma que serve.
Para mim, viver é verbo de dever
um compromisso silencioso com o que é certo.
Melhoro o mundo pela crítica,
não por desprezo,
mas por amor ao aperfeiçoamento.
Acredito que, se tudo estiver sob meu olhar atento,
tudo há de ficar bem.
Sou um “mas” constante.
O olhar que enxerga beleza
e logo aponta o que ainda pode ser melhor.
A sala está linda, mas…
O trabalho está bom, mas…
Sempre há um detalhe a ajustar.
Sou terra-mulher, mãe silenciosa,
a natureza que organiza, sustenta e cura.
Quando ferida(o),
as palavras que guardei como punhais saem em tom agudo,
e meu corpo responde
com os intestinos apertados, músculos em alerta,
num grito que o físico não consegue esconder.
Não sou de dizer “eu te amo” ao vento.
Mas quem passar pelo meu filtro
e for digno do meu cuidado,
sentirá esse amor em cada gesto,
em cada presença que cuida, organiza e fica.
Porque meu lema é esse:
selecionar… e ficar pra sempre.
