Sou a Lua que habita os sonhos,
que dança entre emoção, intuição e espiritualidade.
Sou sensível, sonhador, empático
uma alma feita para sentir além do que se vê.
Sou esponja psíquica,
absorvo o ambiente, as dores e alegrias alheias,
posso ser porto de compaixão, esse dom tão raro.
Mas confesso: tenho medo.
Tenho dificuldade em encarar o caos com coragem.
Quando tudo desmorona à minha volta,
me recolho em meus sonhos,
ou sou o primeiro a abandonar o barco.
Protejo a mim mesmo,
e a ninguém mais.
Minha mente cria histórias, mundos que talvez nunca existam
pessoas que invento, transformo em ideais.
E quando a realidade aparece,
cheia de falhas e imperfeições,
a decepção me alcança.
Vejo os outros por dois lados extremos:
ou sinto dó, e preciso proteger, fugindo dos meus próprios problemas,
ou os enxergo como vilões da minha vida.
Quando estou aflito, são meus pés que denunciam
a ferida que carrego por dentro
eles falam o que minha boca cala.
Mas é justamente quando começo a ver a vida com mais clareza,
quando me comprometo a agir com firmeza e resiliência,
que tudo ganha cor e brilho,
que a jornada se torna excitante.
Então, alcanço meus sonhos
com a certeza de que jamais recuarei.
Porque o rio estreito de onde vim
abraçou o caminho do mar,
abrindo para mim infinitas possibilidades.
