Agir na sombra: o final perfeito

Finalizamos as resenhas deste livro tão simbólico e rico em interpretações.

Ao final, somos convidados à ação sutil do lobo: saber viver nas sombras, compreender a hora de recuar e a hora de partir para a caça.

Acima de tudo, somos chamados a trazer à tona aquilo que verdadeiramente somos, sem vergonha ou medo.

Já não existe o temor do desconhecido, porque escolhemos viver de verdade. Agir com prudência, mas também com autenticidade.

Tenha paciência para ser como a Mulher da Meia-Noite e enxergar além das ilusões. Não se distraia queimando fósforos, como a Pequena Vendedora de Fósforos.

Afaste-se daquilo que lhe faz mal, como Vasalisa ou o Patinho Feio. Encontre a sua turma, aqueça-se em conversas e experiências que alimentam o espírito e enchem a alma de alegria.

Seja como a Donzela sem Mãos: regenere-se. Permita que as dores se transmutem e a tornem mais forte.

Honre seus ancestrais vivendo plenamente. Honre sua história. E, por fim, mesmo quando descobrir a chave, a verdade que não para de sangrar, perceberá que, apesar da dor e das decepções, desenvolveu o instinto necessário para se tornar forte o bastante para fazer tudo valer a pena.

Clarissa Pinkola Estés apresenta dez regras gerais que considera importantes para uma alcateia de lobos:

  1. Coma
  2. Descanse
  3. Perambule nos intervalos
  4. Seja leal
  5. Ame os filhos
  6. Queixe-se ao luar
  7. Apure os ouvidos
  8. Cuide dos ossos
  9. Faça amor
  10. Uive sempre.

Na dúvida, comece sempre pela décima.

Uive.

Porque uivar é manter viva a ligação com sua natureza mais profunda, mesmo quando o mundo pede silêncio, conformidade ou submissão.

Uive para não esquecer quem você é, de onde veio e o que se tornou.

Resenha do capítulo 15 do livro Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés, psicanalista, poeta e contadora de histórias norte-americana.

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