Finalizamos as resenhas deste livro tão simbólico e rico em interpretações.
Ao final, somos convidados à ação sutil do lobo: saber viver nas sombras, compreender a hora de recuar e a hora de partir para a caça.
Acima de tudo, somos chamados a trazer à tona aquilo que verdadeiramente somos, sem vergonha ou medo.
Já não existe o temor do desconhecido, porque escolhemos viver de verdade. Agir com prudência, mas também com autenticidade.
Tenha paciência para ser como a Mulher da Meia-Noite e enxergar além das ilusões. Não se distraia queimando fósforos, como a Pequena Vendedora de Fósforos.
Afaste-se daquilo que lhe faz mal, como Vasalisa ou o Patinho Feio. Encontre a sua turma, aqueça-se em conversas e experiências que alimentam o espírito e enchem a alma de alegria.
Seja como a Donzela sem Mãos: regenere-se. Permita que as dores se transmutem e a tornem mais forte.
Honre seus ancestrais vivendo plenamente. Honre sua história. E, por fim, mesmo quando descobrir a chave, a verdade que não para de sangrar, perceberá que, apesar da dor e das decepções, desenvolveu o instinto necessário para se tornar forte o bastante para fazer tudo valer a pena.
Clarissa Pinkola Estés apresenta dez regras gerais que considera importantes para uma alcateia de lobos:
- Coma
- Descanse
- Perambule nos intervalos
- Seja leal
- Ame os filhos
- Queixe-se ao luar
- Apure os ouvidos
- Cuide dos ossos
- Faça amor
- Uive sempre.
Na dúvida, comece sempre pela décima.
Uive.
Porque uivar é manter viva a ligação com sua natureza mais profunda, mesmo quando o mundo pede silêncio, conformidade ou submissão.
Uive para não esquecer quem você é, de onde veio e o que se tornou.
Resenha do capítulo 15 do livro Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés, psicanalista, poeta e contadora de histórias norte-americana.